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QUESTÕES DO CESPE UNB (MTE- 2008)

8 de agosto de 2010

Texto I

 

 Grupo Móvel — O Sr. se lembra quando o Grupo esteve aqui antes?

Jacaré — Hum! Olha, acho que faz uns oito anos…

Grupo Móvel — Saiu um monte de gente, por que o Sr. Não saiu?

Jacaré — É, saiu um monte de gente, mas o patrão pediu para ficar e eu fiquei.

5Grupo Móvel — O que o Sr. fez com o dinheiro da indenização que recebeu na época?

 Jacaré — Construí um barraquinho… Comprei umas vaquinhas…

Grupo Móvel — Depois disso, o Sr. recebeu mais alguma coisa?

Jacaré — Não, não recebi mais nada, além de comida. Ele disse que eu teria de pagar pelo dinheiro que recebi.

Grupo Móvel — Mais nada?

10Companheira de Jacaré — Ele diz que a gente ainda está devendo e não deixa tirar nossas vacas, diz que são dele. Até as leitoas que pegamos no mato ele diz que são dele.

Grupo Móvel — Por que o Sr. continua trabalhando?

Companheira de Jacaré — Porque ele não quer ir embora sem receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar.

Grupo Móvel — Quantos anos o Sr. tem?

15Jacaré — Tenho 64 anos.

Grupo Móvel — E trabalha para ele há quantos anos?

Jacaré — Faz uns 30 anos.

Grupo Móvel — O Sr. pede dinheiro para ele?

Jacaré — Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha, não precisa pedir.

20O dilema de Eduardo Silva, conhecido como Jacaré, enfim, foi resolvido. Ele foi retirado da fazenda em Xinguara, no Pará. O Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Escravo do MTE abriu para ele uma caderneta de poupança, onde foi depositado o valor das verbas indenizatórias devidas, cerca de R$ 100 mil.

Revista Trabalho. Brasília: MTE, ago./set./out./2008, p. 43 (com adaptações).

Acerca dos aspectos estruturais e lingüísticos e dos sentidos do texto ao lado, julgue os itens a seguir.

1.(CESPE UNB- MTE 2008)  O que faz de Eduardo Silva objeto de interesse da ação do Grupo Móvel é o fato de que o trabalhador optou por trabalhar sem receber a remuneração correspondente, conforme se depreende do trecho “o patrão pediu para ficar e eu fiquei” (R.4).

2.(CESPE UNB- MTE 2008) Nas linhas 5 e 6 do texto, o diminutivo empregado em “barraquinho” e “vaquinhas” tem valor subjetivo. 

3.(CESPE UNB- MTE 2008)Em “Porque ele não quer ir embora sem receber nada. Nem as vacas ele deixa a gente levar” (R.13), nas duas ocorrências, o pronome “ele” refere-se à mesma pessoa.

4.(CESPE UNB- MTE 2008)  Na linha 20, como “Por que” está no início de uma pergunta, a palavra Porque poderia, corretamente, substituí-la.

5.(CESPE UNB- MTE 2008) No trecho “Não, não peço. Precisa pedir? Se a gente trabalha, não precisa pedir” (R.19), Jacaré apresenta sua concepção acerca das relações de trabalho entre os homens.

6.(CESPE UNB- MTE 2008)  Por suas características estruturais, é correto afirmar que o texto em análise é uma descrição.

Texto II

 

1O trabalho infantil no Brasil, ao longo da sua história, 2nunca foi representado como um fenômeno negativo na mentalidade da sociedade brasileira. Até a década de 1980, o consenso em torno desse tema estava consolidado para entender o trabalho como sendo um fator positivo no caso de crianças que, dada sua situação econômica e social, viviam em condições de pobreza, de exclusão e de risco social. Tanto a elite como as classes mais pobres compartilhavam plenamente dessa forma de encarar o trabalho infantil. Um conjunto de  idéias simples, mas de grande efeito, manteve-se inquestionável durante séculos. 5Frases, tais como “é melhor a criança trabalhar do que ficar na rua exposta ao crime e aos maus costumes”, e, ainda, “trabalhar educa o caráter da criança”, traduziam a noção fortemente arraigada de que trabalho é solução para a criança. Se para a elite social o trabalho infantil era uma medida de prevenção, para os pobres era uma maneira de sobreviver. Por motivações diferentes, elite e classes desfavorecidas concordavam: lugar de criança pobre é no trabalho. Esses mitos culturais funcionaram como catalisadores das ações das instituições públicas e privadas a respeito das crianças e adolescentes trabalhadores. A inércia secular do Brasil diante do trabalho social só pode ser entendida quando considerada a força da mentalidade que albergava o trabalho infantil em seu seio como 10parte da natureza das coisas. Quantitativamente, o trabalho infantil diminuiu, mas as razões simbólicas necessárias para sua existência continuam vivas na cultura brasileira.

Brasil. Plano nacional de prevenção e erradicação do trabalho infantil

e proteção ao trabalhador adolescente. Brasília: MTE, Secretaria

de Inspeção do Trabalho, 2004, p. 23-8 (com adaptações).

Com relação aos sentidos e estruturas linguísticas do texto acima, julgue os itens que se seguem.

7.(CESPE UNB- MTE 2008) De acordo com o texto, a razão pela qual os pobres consideravam o trabalho infantil um meio de sobrevivência era a mesma pela qual as elites o encaravam como medida de prevenção à delinquência.

8.(CESPE UNB- MTE 2008) O texto afirma que, para entender o motivo por que o trabalho infantil perdurou tanto tempo no Brasil, é preciso considerar o quanto a ideia do trabalho infantil foi naturalizada no interior da sociedade brasileira.

9.(CESPE UNB- MTE 2008) Segundo o texto, a diminuição cada vez maior do trabalho infantil está assegurada pela superação das razões simbólicas de sua existência na cultura brasileira.

10.(CESPE UNB- MTE 2008) Nas linha 5 do texto, as frases apresentadas entre aspas são exemplos do conjunto de idéias comuns à mentalidade da sociedade brasileira em relação ao tema do texto.

11.(CESPE UNB- MTE 2008) No trecho “viviam em condições de pobreza, de exclusão e de risco social” (R.3), apresentam-se as razões pelas quais o trabalho deve ser considerado um fator positivo na infância.

12.(CESPE UNB- MTE 2008) À linha 6, a forma verbal “era” foi empregada na primeira pessoa do singular para concordar com a expressão “a elite social”.

 Texto III

1Nós, chefes de Estado e de Governo dos países ibero-americanos, reunidos na XIII Conferência Ibero-Americana, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, reiteramos o nosso propósito de continuar a fortalecer a Comunidade Ibero-Americana de Nações como fórum de diálogo, cooperação e concertamento político, aprofundando os vínculos históricos e culturais que nos unem, e admitindo, ao mesmo tempo, as características próprias de cada uma das nossas múltiplas identidades, que permitem reconhecer-nos como uma unidade na diversidade.

5Estamos conscientes de que a exclusão social é um problema de caráter estrutural com profundas raízes históricas, econômicas e culturais, cuja superação exige profunda transformação das nossas sociedades atingidas pela desigualdade na distribuição da riqueza.

Reconhecemos a urgente necessidade de implementar políticas públicas de diminuição da pobreza e de aumento  da participação dos cidadãos de todos os setores da população, excluídos da definição das políticas sociais, dos processos decisórios e do controle e fiscalização dos recursos financeiros consignados a tais políticas, de forma que eles sejam os atores do seu próprio processo de desenvolvimento. Assim, poderemos assegurar seu maior  acesso à terra, às fontes 10de trabalho, à melhor qualidade de vida, à educação, à saúde, à habitação e a outros serviços básicos.

Os chefes de Estado e de Governo dos países ibero-americanos subscrevem a presente declaração, em dois textos originais na língua espanhola e na língua portuguesa, ambas igualmente válidas, na cidade de Santa

Cruz de la Sierra, aos 15 dias de novembro do ano

de 2003.

Quanto aos sentidos e aos aspectos estruturais e lingüísticos do texto acima, julgue os itens subseqüentes.

13.(CESPE UNB- MTE 2008) Conclui-se do texto que as históricas desigualdades econômicas e culturais dos povos ibero-americanos tornam inviáveis as políticas públicas capazes de fazer com que os excluídos sejam sujeitos de seu próprio desenvolvimento.

14.(CESPE UNB- MTE 2008) Por estar escrito na primeira pessoa do singular, o texto apresenta aspectos subjetivos que contrariam as normas da redação de correspondências e documentos oficiais.

15.(CESPE UNB- MTE 2008) O trecho “o nosso propósito de continuar a fortalecer a Comunidade Ibero-Americana de Nações como fórum de diálogo, cooperação e concertamento político” (R.2) complementa o sentido do verbo “reiteramos” (R.2).

16.(CESPE UNB- MTE 2008) Considerando-se os sentidos do texto, o termo “concertamento” (R.2) poderia ser substituído por acordo.

17.(CESPE UNB- MTE 2008) A expressão “uma unidade na diversidade” (R.4) refere-se ao fato de que os países representados no texto têm características próprias que os diferenciam uns dos outros e vínculos históricos e culturais que os aproximam.

18.(CESPE UNB- MTE 2008) Na enumeração feita na linha 10, o trecho “a outros serviços básicos” poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: à outros serviços básicos, ou seja, com sinal indicativo de crase.

From → Exercícios

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