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É HORA DE SIMULAR O CONCURSO!

10 de agosto de 2010

Texto I

Conversando com o inimigo

Operações policiais expõem os métodos dos pedófilos para atrair crianças via computador Uma dezena de ações policiais nos últimos tempos tem chamado atenção para o crime monstruoso do abuso sexual de crianças, classificado genericamente como pedofilia. Na Polícia Federal, foram seis grandes operações nos últimos três anos, sendo a mais recente a Arcanjo, realizada em Roraima no começo de junho, na qual entre os oito presos havia dois empresários, um major da PM e o procurador-geral do estado, Luciano Alves de Queiroz, exonerado após a detenção. A Polícia Federal também prendeu em plena biblioteca do Ministério do Planejamento, em Brasília, o corretor de imóveis Gusmar Lages Júnior, 45 anos, que usava os computadores à disposição do público para enviar e-mails com imagens de pornografia infantil. Na Polícia Civil de São Paulo, um pavoroso acervo de imagens de computador foi apreendido com Márcio Aurélio Toledo, 36 anos, operador de telemarketing e pai-de-santo em um terreiro de candomblé, para onde atraiu boa parte de suas vítimas.

Dono do site Orkut, um caminho pelo qual pedófilos têm circulado impunemente, o Google já abriu 3261 álbuns e páginas privadas do site e concordou em liberar outros 18330 à Comissão Parlamentar de Inquérito instalada em março para tratar do assunto. De janeiro a junho deste ano, a SaferNet Brasil, organização não-governamental que combate a pedofilia e a pornografia infantil, registrou 26626 denúncias de ação de pedófilos, quase o dobro do total do mesmo período em 2007. Na Polícia Federal, o número de inquéritos relacionados a esse tipo de crime saltou de 28, em 2000, para 165, no ano passado. Aumentou a pedofilia ou aumentou a ação da polícia? Ambas aumentaram, e o denominador comum é a internet – a rede tanto abriu um campo novo e prolífico para os pedófilos quanto expôs mais o tipo de violência que estes perpetuam, possibilitando punições mais freqüentes. “Só neste último mês recebemos 3000 denúncias, e a maior parte delas envolve a internet”, informa Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI do Senado.

A pedofilia é um transtorno sexual – a atração por crianças – que há sessenta anos, sob o número F65.4, faz parte da Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde. Quando praticada, transforma-se em crime que assombra as famílias: todos sabem que são parentes ou conhecidos próximos os responsáveis pelos abusos mais freqüentes. O papel da internet nesse mundo foi, basicamente, o de facilitar o acesso a crianças e reunir em uma espécie de comunidade pessoas que, pela repugnância universal que seus atos despertam, só muito raramente tinham contato mútuo. “Na internet, o pedófilo tem a ilusão do anonimato e a sensação da impunidade.”, diz o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares. Ele atrai suas vítimas em salas de bate-papo e sistemas de comunicação popularíssimos entre crianças, como o MSN e o Orkut. Usando apelidos infantis como “vanessinha10” e “thiago8”, passa-se por criança. O terreno é fértil: em maio, pesquisa do Ibope/NetRatings constatou que, de 23 milhões de pessoas que acessaram 43 bilhões de páginas na internet, 2 milhões tinham entre 6 e 11 anos. Freqüentemente, o pedófilo se integra a sites fechados para troca de pornografia – cenas mais explícitas chegam a custar o equivalente a 150 reais, pagos com cartão de crédito internacional – e até de justificativas distorcidas para seu transtorno. “A internet estimula a ação do pedófilo porque é lá que ele encontra seus semelhantes”, avalia Sérgio Suiama, coordenador do grupo de combate aos crimes de internet do Ministério Público de São Paulo.

                Em casos de pedofilia fora da esfera familiar, é comum que os pais sejam os últimos a saber. “Os pais têm dificuldade de entender os sinais que os filhos passam. Se a criança tenta contar, eles duvidam dela. Não fazem isso por maldade, mas porque é difícil acreditar que uma pessoa tão próxima esteja fazendo algo tão cruel com alguém tão indefeso, diz a psicóloga Daniela Pedroso, 34 anos, que há dez anos atende crianças vítimas de violência sexual no Hospital Pérola Byington, em São Paulo. Em 2007, 805 meninas e meninos de até 12 anos foram encaminhados ao serviço, que recebe, em média, setenta novas crianças por mês e utiliza brincadeiras e desenhos no diagnóstico e no tratamento das pequenas vítimas. Apesar do estigma, ainda existe certa tolerância cultural em determinados meios, em especial quando as pequenas vítimas são muito pobres e os criminosos dispõem de algum tipo de poder. “No Brasil, a pedofilia anda nas colunas sociais, tem mandato, veste toga, tem patente, anda com a Bíblia e reza o terço. É um monstro pior do que o narcotráfico”, alerta, o senador Malta. Cadeia e execração social parecem pouco para os perpetuadores desse tipo de crime, mas são os instrumentos de que a sociedade dispõe para puni-los. Sempre.

Sandra Brasil – Revista Veja, 16 de julho de 2008. p. 148-150 (Adaptação)

QUESTÕES

1. (TJ-2008) Considerando a relação entre o título e o texto, NÃO é possível afirmar que

a) os crimes de pedofilia, na internet, acontecem através de conversas em alguns sites de relacionamentos.

b) as crianças entre 6 e 11 anos acessam sites considerados caminho anônimo por pedófilos.

c) a família que não conversa sobre os crimes com as crianças acaba sendo considerada inimiga.

d) a Polícia Federal está mapeando os crimes acontecidos nos sites de relacionamentos no Brasil.

e) o Senado criou uma CPI para cuidar de crimes que adultos cometem contra crianças usando a internet como ambiente.

2. (TJ-2008) Assinale a alternativa em que a opinião do autor do texto é revelada.

a) “É um monstro pior do que o narcotráfico.” (4º§)

b) “Ambas aumentaram…” (2º§)

c) “O terreno é fértil…”(3º§)

d) “Quando praticada, transforma-se em crime…” (3º§)

e) “Apesar do estigma, ainda existe certa tolerância…” (4º§)

3. (TJ-2008) Considerando os números apresentados sobre a pedofilia no texto, marque as afirmações corretas:

I) A Polícia Federal registrou, até 2007, mais de cinco vezes o número de crimes desde o ano de 2000.

II) Uma pesquisa constatou que um número pouco significativo de crianças entre 6 e 11 anos freqüentam a internet.

III) A conseqüência do crime é percebida no resultado final de atendimento no Hospital Pérola Byington.

IV) A SaferNet comprova uma diminuição bastante significativa no número de denúncias de 2007 a 2008.

Está (ão) correta(s):

a) II. b) I e III. c) I e IV. d) IV. e) II e III.

4. (UEPB-2002) Veja os enunciados em destaque:

 A diferença não é onde você navega.

 É com quem você navega.

O termo que os uniria em um único período, dando-lhes sentido adversativo, é:

a) Portanto

b) Quando

c) Todavia

d) Comumente

e) Especificamente

5.(Fuvest-adaptada) Indique a classificação da oração destacada: “…fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce.”

a) oração subordinada substantiva subjetiva.

b) oração subordinada substantiva objetiva indireta.

c) oração subordinada substantiva apositiva.

d) oração subordinada substantiva predicativa.

e) oração subordinada substantiva objetiva direta.

6. (Casper Líbero-adaptada) No trecho: “É evidente que ele não sabe.” A oração destacada, é

a) oração subordinada substantiva objetiva indireta.

b) oração subordinada substantiva apositiva.

c) oração subordinada substantiva predicativa.

d) oração subordinada substantiva subjetiva

e) oração subordinada substantiva objetiva direta.

Texto II

“Não sejas demasiado justo”

ERA UM DEBATE sobre o aborto na TV. A questão não era “ser a favor” ou “contra o aborto”. O que se buscava eram diretrizes éticas para se pensar sobre o assunto.

Será que existe um princípio ético absoluto que proíba todos os tipos de aborto? Ou será que o aborto não pode ser pensado “em geral”, tendo de ser pensado “caso a caso”? Por exemplo: um feto sem cérebro. É certo que ele morrerá ao nascer. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?

Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais. Todos os abortos são assassinatos.

Terminando o debate, o teólogo concluiu com esta afirmação: “Nós ficamos com a vida!”

O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz, claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: “Nós ficamos com a vida. Os outros, que não concordam conosco, ficam com a morte…”

Mas eu não concordo com a posição teológica da igreja – sou favorável, por razões de amor, ao aborto de um feto sem cérebro, e sustento que o princípio ético supremo é a reverência pela vida.

Lembrei-me do filme a “Escolha de Sofia”. Sofia, mãe com seus dois filhos, numa estação ferroviária da Alemanha nazista. Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados para a morte nas câmaras de gás. O guarda que fazia a separação olha para Sofia e lhe diz: “Apenas um filho irá com você. O outro embarcará nesse trem…” E apontou para o trem da morte.

Já me imaginei vivendo essa situação: meus dois filhos – como os amo –, eu os seguro pela mão, seus olhos nos meus. A alternativa à minha frente é: ou morre um ou morrem os dois. Tenho de tomar a decisão. Se eu me  recusasse a decidir pela morte de um, alegando que eu fico com a vida, os dois seriam embarcados no trem da morte. Qual deles  escolherei para morrer? Acho que a ética do teólogo católico não ajudaria a Sofia.

Você é médico, diretor de uma UTI que, naquele momento, está lotada, todos os leitos tomados, todos os recursos esgotados. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer. Para aceitá-lo, um paciente deverá ser desligado das máquinas que o mantêm vivo. Qual seria sua decisão? Qual princípio ético o ajudaria na sua decisão? Qualquer que fosse a sua decisão, por causa dela uma pessoa morreria.

Lembro-me do incêndio do edifício Joelma. Na janela de um andar alto, via-se uma pessoa presa entre as chamas que se aproximavam e o vazio à sua frente. Em poucos minutos as chamas a transformariam numa fogueira. Para ela, o que significa dizer “eu fico com a vida”? Ela ficou com a vida: lançou-se para morte.

Ah! Como seria simples se as situações da vida pudessem ser assim colocadas com tanta simplicidade: de um lado a vida e de outro a morte. Se assim fosse, seria fácil optar pela vida. Mas essa encruzilhada simples entre o certo e o errado, só acontece nos textos de lógica. O escritor sagrado tinha  consciência das armadilhas da justiça em excesso e escreveu: “Não sejas demasiado justo porque te destruirás a ti mesmo…”

(ALVES, Rubem. Folha de São Paulo, C2, Cotidiano, 1 abril 2008).

 

7. (concurso UFPB-2008) Com base na leitura do texto, julgue as assertivas abaixo:

I. O teólogo católico analisa o aborto, defendendo incondicionalmente a vida em qualquer caso.

II. O aborto não é tratado como um tema polêmico, uma vez que é visto sempre como crime.

III. A questão do aborto, no debate na TV, é discutida apenas a partir do dualismo: a favor ou contra o aborto.

IV. Rubem Alves não aceita a ética católica em relação ao aborto.

V. O autor considera o aborto sempre um ato criminoso.

Estão corretas as assertivas

a) I e II.

b) II e III.

c) III e IV.

d) IV e V.

e) I e IV.

8. (concurso UFPB-2008) Leia o fragmento: “Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais.” . Com base nesse fragmento, é possível fazer certas inferências em relação ao posicionamento do autor. Considerando essas inferências, julgue as assertivas abaixo:

 

I. O autor não é católico, por isso não aceita a opinião do teólogo católico.

II. O autor não tem nenhuma religião, pois é a favor do aborto.

III. O autor não defende a vida, visto que aceita o aborto em determinados casos.

IV. O autor tem opinião diferente do ponto de vista do teólogo, pois não aceita a “ética dos absolutos”.

V. O autor não aceita tratar qualquer forma ou caso de aborto como crime.

Estão corretas as assertivas

a) I e II

b) II e III

c) IV e V

d) I e IV

e) II e V

9. (concurso UFPB-2008) Considerando a classificação do sujeito gramatical, julgue as assertivas abaixo:

I. Em “Todos os abortos são assassinatos.” (linhas 8 e 9 ), ocorre a presença de sujeito composto.

II. Em “Lembrei-me do filme a ‘Escolha de Sofia.’” (linha 17), há sujeito implícito.

III. Em “Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados […]” (linha 18), ocorre sujeito inexistente.

IV. Em “O outro embarcará nesse trem …” (linha 20), ocorre a presença de sujeito indeterminado.

V. Em “Você é médico, […]” (linha 26), o sujeito é simples, representado pelo termo você.

Estão corretas as assertivas

a) I e II

b) II e III

c) III e IV

d) II e V

e) IV e V

 

10. (concurso UFPB-2008) O termo destacado em negrito no fragmento “O guarda que fazia a separação olha para Sofia […]” (linha19) funciona como complemento do verbo fazer, exercendo a função sintática de objeto direto. Considerando esse mesmo comportamento sintático, julgue os termos destacados em negrito nos fragmentos abaixo:

I. Ela não discrimina abortos. ” (linha 8)

II. Todos os abortos são iguais. ” (linha 8)

III. Nós ficamos com a vida! ”. (linha 10)

IV. O outro embarcará nesse trem… ” (linha 20)

V. Lembro-me do incêndio do edifício Joelma.” (linha 31)

Está(ão) correta(s)  a(s) assertiva(s)

a) apenas I

b) apenas II

c) II e III

d) I e IV

e) II e IV

 

Texto III

Hiroshima

O calor infernal e o deslocamento de ar provocado pela bomba de Hiroshima reduziram a pó uma cidade de 300 mil habitantes, em 6 de agosto de 1945. O mundo assistia ao primeiro grande ataque nuclear e ainda o saudava como uma grande descoberta bélica.

O horror, as consequências da contaminação atômica, o desastre ecológico que a detonação de uma bomba nuclear poderia provocar, nada disso ainda era conhecido pelo público — o holocausto era festejado como uma grande vitória para a imprensa da época. Hoje, mais de cinquenta anos depois da explosão, a cidade foi totalmente reconstruída. Restam ainda na alma de toda a humanidade as sombras da dor […]

Dicionário Ilustrado de Ecologia Terra.

11. (EEP-SP) No período: “Restam ainda na alma de toda a humanidade as sombras da dor[…]”, é correto afirmar:

a) Não há sujeito presente neste período.

b) Existe o sujeito neste período, porém ele está oculto.

c) O sujeito da oração é indeterminado.

d) O sujeito da oração é simples e está explícito na frase.

e) Nenhuma das afirmações acima.

 

12. (Facimpa-MO) Em que alternativa o sujeito está incorretamente analisado?

a) Decorreram alguns minutos de estranho silêncio. (simples)

b) Aluga-se vestido de noiva. (indeterminado)

c) Tem feito muito calor nos últimos dias. (inexistente)

d) Nem sempre se pode acreditar nas pessoas. (indeterminado)

e) Casa bonita não havia naquele bairro. (inexistente)

13. (TJ-2008) Preencha as lacunas do texto com as conjunções adequadas ao contexto e assinale a seqüência correta.

Parafraseando um dos executivos mais sensatos que conheci no mundo profissional, “a ética é o freio da ambição”. Os seres humanos são capazes de coisas incríveis por dinheiro e poder, ______, na maioria das vezes, a ambição será mais forte que a ética, para desespero dos menos favorecidos politicamente.

________, não se deve perder a esperança, nunca. As relações na vida pessoal e profissional são difíceis, _______ o mundo evolui rapidamente. Existem líderes sensatos e organizações que conseguem conciliar os interesses,______transcendem a ambição e o lucro em nome daquilo que se convém chamar de ética, aliada ao respeito aos indivíduos.

(Mendes, Jerônimo. http://www.gestaodecarreira.com.br/ldp/etica/etica-no-trabalho.html. Acessado em 01.08.2008 )

a) Porém , porque, pois, à medida que.

b) Nem, porém, pois, uma vez que.

c) E, todavia, mas , pois.

d) Pois, entretanto, porém, quando.

e) Quando, contudo, uma vez que, embora.

 

14. (REUNI-2008) Em relação à estrutura sintático-semântica do fragmento “Levanto-me, procuro uma vela, que a luz vai apagar-se”, identifique as afirmativas corretas:

I. O período apresenta orações coordenadas.

II. A oração “procuro uma vela” coordena-se, sem a presença de conectivo, à oração “Levanto-me”.

III. O conectivo “que” funciona como elemento de coesão textual, tendo como referente o termo “vela”.

IV. A oração “que a luz vai apagar-se” expressa circunstância de concessão.

V. O conectivo “que” pode ser substituído, mantendo-se o mesmo sentido do fragmento, pelo conectivo pois.

Estão  corretas:

a) I e II

b) I, II e III

c) II, III e V

d) I, III e IV

e) I, II e V

15. (PRF-2009) No afã de manter a elegância textual e a correção na utilização dos tempos e ortografia verbais, policial em rodovia diz a um companheiro de trabalho: “Na rodovia, …… com …………………. e agilidade quando …….. pessoas que necessitem de seu auxílio”.

O item que completará adequadamente o período selecionado é:

A) haja, descrição, ver.

B) aja, descrição, vir.

C) haja, discrição, ver.

D) aja, discrição, vir.

E) aja, discreção, ver.

From → Exercícios

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