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FIGURAS DE LINGUAGEM

5 de outubro de 2010

Curso de Português para Vestibulares e Concursos – Professor Romão Júnior   

 

FIGURAS DE LINGUAGEM

São recursos expressivos que se usam para imprimir mais força, vivacidade e colorido ao pensamento. Esses recursos de linguagem são bastante empregados para a construção de uma imagem poética.

Podemos classificar as figuras de linguagem em:

Figuras de palavras (ou tropos);

Figuras de pensamento;

Figuras de construção (ou sintaxe);

Figuras de Palavras: baseiam-se no emprego simbólico, figurado de uma palavra por outra, quer por contigüidade (relação de proximidade) quer por similaridade (associação, comparação)

Comparação (ou Símile): ocorre quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados pelo conectivo comparativo “como” (e as variantes: feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem) e alguns verbos — parecer, assemelharse e outros. Ex.:

“A paz é como / Aquele suspiro,

Leve e inocente / Que a gente / Dá durante o sono”.

“As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas…” (Jorge Amado)

Metáfora: ocorre quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada em que o conectivo não está expresso, mas subentendido. Ex.:

“A noite é um manto negro sobre o mundo.”

“Esta vida é uma viagem

pena eu estar

só de passagem” (Paulo Leminski)

 

Catacrese: é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente inovação de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico. Ex.:

folhas de papel

dente de alho

céu da boca

asa da xícara

pele de tomate

cabeça de prego

braço da cadeira

aterrissar em alto-mar

 

Metonímia (ou Sinédoque): consiste na substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas uma proximidade de sentido. Realizando-se de inúmeros modos. Ex.:

a) o continente pelo conteúdo e vice-versa:

Antes de sair, tomamos um cálice de licor.

 

b) a causa pelo efeito e vice-versa:

Ergueu a casa com seu suor.

c) o concreto pelo abstrato ou vice-versa

Este aluno tem ótima cabeça.

d) o lugar de origem ou de produção pelo produto:

Comprei uma garrafa do legitimo porto.

e) a marca pelo produto:

Usa gilete diariamente.

f) o autor pela obra:

Virou a madruga lendo Augusto do Anjos.

g) o inventor pelo invento:

Edson ilumina o mundo.

Sinestesia: é o recurso que une em uma só expressão diferentes sensações sensoriais. Está ligada aos cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Ex.:

Uma melodia azul tomou conta da sala.

Sua voz doce e aveludada era uma carícia em meus ouvidos.

Figuras de Pensamento: São processos estilísticos que se realizam na esfera do pensamento, no âmbito da frase e objetiva ressaltar o significado das palavras.

Antítese: ocorre quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. Ex.:

“A areia, alva, está agora preta, de pés que a pisam.”

(Jorge Amado)

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,

Depois da luz, se segue a noite escura.

Em tristes sombras morre a formosura

Em contínuas tristezas, a alegria”.

(Gregório de Mato)

Paradoxo: ocorre paradoxo quando há aproximação de idéias opostas, idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É entendia como oposição de idéias.

“Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer.”

(Luis Vaz de Camões)

Que não seja imortal posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

Eufemismo: consiste no emprego de uma palavra ou expressão para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante. Ex.:

O hábil político tomou emprestado dinheiro público e esqueceu de devolver.

João partiu para uma vida melhor.

Ironia: Ocorre quando, pelo contexto, pela entonação, ou pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. Geralmente a intenção é depreciativa ou sarcástica. Ex.:

Olha só como o quarto está arrumado! Nada focou no lugar! Tudo de pernas para o ar!

— Você está intolerante, hein!

— Não diga, meu amor!

Hipérbole: é o exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto. Ex.:

“Paixão cruel desenfreada

Te trago mil rosas roubadas

Pra desculpar minhas mentiras

Minhas mancadas

Exagerado (…)”

(Cazuza/Leoni/Ezequiel)

“Rios te correrão dos olhos, se chorares!”

(Olavo Bilac)

Prosopopéia (ou personificação): consiste na atribuição de movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios dos seres humanos, seres animados, a seres inanimados, irracionais ou abstratos. É comum nas fábulas e nos apólogos. Ex.:

“As árvores são imbecis; despem-se justamente quando começa o inverso”

“Na noite alta, como sobre um muro,

As estrelinhas cantam como grilos…”

(Mario Quitana)

Gradação: É a apresentação de uma série de idéias em progressão ascendente. A gradação pode ser crescente (aumenta) ou decrescente (diminui). A crescente pode ser chamada de clímax. Ex.:

“Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Ania com seus olhos claros e brincalhões…”

“Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo digere, tudo acaba”.

(Pe Antônio Vieira)

Figuras de Construção: Estão diretamente relacionadas com a estrutura sintática da frase.

Pleonasmo: consiste na repetição desnecessária de uma informação, afim de reforçar ou enfatizar uma expressão. Ex.:

 

“Vi com os meus próprios olhos o foguete desaparecer”.

“Sorriu para Holanda um sorriso ainda marcado de pavor”.

(V. Moog)

Elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a concisão. Ex.:

 

De mau cordo, mau ovo.

No céu, dois fiapos de nuvens.

Somos estudiosos.

Anáfora: consiste na repetição da mesma palavra no início de diversas orações. Ex.:

Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido.

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um toco sozinho

É um caco de vidro, é a vida, é o Sol

É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

(Tom Jobim)

 

Hipérbato: Consiste na inversão da ordem normal das palavras, ou da ordem das orações no período. Ex.:

Que o juízo final há de chegar, não contesto.

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante”

(Osório Duque Estrada)

 

Aliteração: consiste na repetição da mesma consoante ou de consoantes similares. Ex.:

“O rato roeu a roupa do rei de Roma”

“Toda gente homenageia Januária na janela”

(Chico Buarque)

Assonância: consiste na repetição da mesma vogal ao longo de uma frase, verso ou poema. Ex.:

“Sou Ana, da cama

da cana, fulana, bacana

Sou Ana de Amsterdam.”

Onomatopéia: ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som. Ex.:

O tique-taque do meu coração…

“O silêncio fresco despenca das árvores. Veio de longe, das planícies altas. Dos cerrados onde o guaxe passe rápido… Vvvvvvvv… passou.” (Mário de Andrade)

From → Gramática

2 Comentários
  1. patricia silva permalink

    professor sobre proparoxítonas aparentes.

    • Patrícia,
      Sãp palavras terminadas em ditongo crescente, tais palavras podem ser consideradas paroxítonas ou proparoxítonas eventuais, veja: história, podemos separá-la assim his-tó-ria, nesse caso paroxítona ou separá-la assim his-tó-ri-a, tornando-a proparoxítona. As duas formas estão corretas (confira no dicionário Aurélio).
      Abraços Fraternos,
      Romão Júnior.

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