Skip to content

EXERCÍCIO DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS PARA UEPB 2012

25 de janeiro de 2012

Texto I

NADA MUDOU

 

“Em outros declives semelhantes, vimos, com prazer, progressivos indícios de desbravamento, isto é, matas em fogo ou já destruídas, de cujas cinzas começavam a brotar o milho, a mandioca e o feijão”.(…) “Pode-se prever que em breve haverá falta até de madeira necessária para construções se, por meio de uma sensata economia florestal, não se der fim à livre utilização e devastação das matas desta zona”.

“As ervas desse campo, para serem removidas e fertilizar o solo com carbono e extirpar a multidão de insetos nocivos, são queimadas anualmente pouco antes de começar a estação chuvosa. Assistimos, com espanto, à surpreendente visão da torrente de fogo ondulando poderosamente sobre a planície sem fim.” “(…) Há a atividade dos homens que esburacam o solo (…) para a extração de metais. (…)” “Infelizmente (…), ávidos da carne do tatu galinha, não ponderam sobre essas sábias disposições. Perseguem-no com tanta violência, como se a espécie tivesse de ser extinta”. “No solo adubado com cinzas das matas queimadas dá boas colheitas (…) Contudo, isso se refere somente à colheita do primeiro ano; no segundo já é menor e, no terceiro, o solo em geral está parcialmente esgotado e em parte tão estragado por um capim compacto, que a plantação é desfeita …”.

“Em parte, haviam sido queimadas grandes extensões das pradarias. Assisti hoje a este fenômeno diversas vezes e, por um quarto de hora, atravessamos campos incendiados, crepitando em altas chamas.”

Lendo as citações acima, o leitor pode estar se perguntando de onde elas foram extraídas, até pela linguagem pouco usual, e a que lugares se referem. Poderá imaginar que são trechos de publicações técnicas sobre o meio ambiente, talvez algum relato de um membro de uma ONG ambientalista ou de um viajante de Portugal ou outra coisa qualquer do gênero. Pois bem, não é nada disso. Na verdade, as citações foram extraídas do livro “Viagem no Interior do Brasil” (1976, Editora Itatiaia), do naturalista austríaco Johann Emanuel Pohl. O detalhe que torna as citações mais interessantes para aquelas pessoas preocupadas com o meio ambiente é a época em que foi feita a viagem: entre 1818 e 1819. Isto mesmo, há quase 190 anos! Repito: cento e noventa anos atrás. Triste constatar que, de lá pra cá, não só pouca coisa mudou como retrocedemos em outras.

O naturalista viajou pelos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Tocantins e descreveu os caminhos por onde passou. (…) O imediatismo, a destruição pela cobiça, a nefanda prática das queimadas, a falta de planejamento e o hábito de esgotar os recursos para posteriormente mudar o local da destruição são facilmente percebidos ao longo do texto. Na verdade, dada a época em que o relato foi feito, isto não constitui grande surpresa. O mais impressionante é a analogia com os dias atuais. (…) Quase dois séculos se passaram. O discurso ambientalista ganhou força e as ONG são entidades de peso político extraordinário. Mas tudo indica que, na prática, nada mudou.

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é doutorem Comportamento Animalpela Universidade de Saint Andrews. JB – Ecológico, ano V, no 71, dez/2007.

1. (CAIXA-2008) Sobre o texto, é correto afirmar que o autor

(A) faz previsões quanto à situação do ecossistema.

(B) tira conclusões a partir de suas viagens pelo interior.

(C) preocupa-se com a deterioração do ecossistema brasileiro.

(D) critica a opinião dos observadores estrangeiros sobre o meio ambiente.

(E) atribui aos naturalistas a falta de planejamento para a conservação do meio ambiente.

2.(CAIXA-2008) Segundo o autor, nas citações iniciais do texto (três primeiros parágrafos), o leitor poderá identificar

(A) relatos críticos de viagens exploratórias.

(B) interesses escusos de organizações ambientalistas.

(C) propostas de ocupação do solo pelas comunidades agrícolas.

(D) preparação do solo para a produção de biocombustível.

(E) viagens exploratórias com vistas ao desenvolvimento sustentável.

3.(CAIXA-2008) Na construção do texto, o autor

(A) procura um diálogo com o leitor.

(B) tece considerações a partir de um monólogo.

(C) desconsidera a interação com o leitor.

(D) responsabiliza o leitor pela situação instalada.

(E) apresenta solução ao leitor para os fatos constatados.

4.(CAIXA-2008) Ao afirmar: “O mais impressionante é a analogia com os dias atuais.” (l. 53), o autor enfatiza a

(A) distância dos acontecimentos no tempo.

(B) situação temporária do ecossistema no Brasil.

(C) semelhança dos acontecimentos em tempos diferentes.

(D) simultaneidade dos fatos históricos citados no texto.

(E) diferença do tratamento ambiental brasileiro em épocas distintas.

5.(CAIXA-2008) As idéias relativas ao meio ambiente, que caracterizam este artigo, são desenvolvidas em um texto predominantemente

(A) técnico com descrição de paisagens.

(B) argumentativo com aspectos dissertativos.

(C) descritivo com tom regionalista.

(D) poético com passagens descritivas.

(E) jornalístico de cunho investigativo.

6. (CAIXA-2008) De acordo com a leitura do texto, o par de vocábulos que estabelece uma correlação de causa e efeito é:

(A) extinção / preservação.

(B) sabedoria / aridez.

(C) ponderação / perseguição.

(D) conservação / violência.

(E) avidez / extinção.

7. (CAIXA-2008) Dentre os fragmentos abaixo destacados, o único que, no contexto, NÃO corresponde ao sentido indicado entre parênteses é

(A) “para serem removidas…”  (fim)

(B) “que a plantação é desfeita…” (consecução)

(C) “se (…) não se der fim à livre utilização”  (condição)

(D)“crepitando em altas chamas.”  (concessão)

(E) “Contudo, isso se refere somente à colheita…”  (oposição)

8.(CAIXA-2008) Apenas uma das palavras abaixo, em destaque, está grafada de acordo com a ortografia oficial. Assinale-a.

(A) Não havia funcionários na sessão de registros.

(B) A produtividade das minas de ouro superou as espectativas.

(C) Foi preciso analizar cuidadosamente a biodiversidade local.

(D) Conclui-se que a detalhes demais naquele levantamento.

(E) Foram descobertos privilégios na concessão de licenças.

Texto II

 

“Não sejas demasiado justo”

 

ERA UM DEBATE sobre o aborto na TV. A questão não era “ser a favor” ou “contra o aborto”. O que se buscava eram diretrizes éticas para se pensar sobre o assunto.

Será que existe um princípio ético absoluto que proíba todos os tipos de aborto? Ou será que o aborto não pode ser pensado “em geral”, tendo de ser pensado “caso a caso”? Por exemplo: um feto sem cérebro. É certo que ele morrerá ao nascer. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?

Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais. Todos os abortos são assassinatos.

Terminando o debate, o teólogo concluiu com esta afirmação: “Nós ficamos com a vida!”

O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz, claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: “Nós ficamos com a vida. Os outros, que não concordam conosco, ficam com a morte…”

Mas eu não concordo com a posição teológica da igreja – sou favorável, por razões de amor, ao aborto de um feto sem cérebro –, e sustento que o princípio ético supremo é a reverência pela vida.

Lembrei-me do filme a “Escolha de Sofia”. Sofia, mãe com seus dois filhos, numa estação ferroviária da Alemanha nazista. Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados para a morte nas câmaras de gás. O guarda que fazia a separação olha para Sofia e lhe diz: “Apenas um filho irá com você. O outro embarcará nesse trem…” E apontou para o trem da morte.

Já me imaginei vivendo essa situação: meus dois filhos – como os amo –, eu os seguro pela mão, seus olhos nos meus. A alternativa à minha frente é: ou morre um ou morrem os dois. Tenho de tomar a decisão. Se eu me recusasse a decidir pela morte de um, alegando que eu fico com a vida, os dois seriam embarcados no trem da morte. Qual deles escolherei para morrer? Acho que a ética do teólogo católico não ajudaria a Sofia.

Você é médico, diretor de uma UTI que, naquele momento, está lotada, todos os leitos tomados, todos os recursos esgotados. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer. Para aceitá-lo, um paciente deverá ser desligado das máquinas que o mantêm vivo. Qual seria sua decisão? Qual princípio ético o ajudaria na sua decisão? Qualquer que fosse a sua decisão, por causa dela uma pessoa morreria.

Lembro-me do incêndio do edifício Joelma. Na janela de um andar alto, via-se uma pessoa presa entre as chamas que se aproximavam e o vazio à sua frente. Em poucos minutos as chamas a transformariam numa fogueira. Para ela, o que significa dizer “eu fico com a vida”? Ela ficou com a vida: lançou-se para morte.

Ah! Como seria simples se as situações da vida pudessem ser assim colocadas com tanta simplicidade: de um lado a vida e de outro a morte. Se assim fosse, seria fácil optar pela vida. Mas essa encruzilhada simples entre o certo e o errado, só acontece nos textos de lógica. O escritor sagrado tinha consciência das armadilhas da justiça em excesso e escreveu: “Não sejas demasiado justo porque te destruirás a ti mesmo…”

(ALVES, Rubem. Folha de São Paulo, C2, Cotidiano, 1 abril 2008).

9. (CONCURSO UFPB-2008)  Com base na leitura do texto, julgue as assertivas abaixo:

I. O teólogo católico analisa o aborto, defendendo incondicionalmente a vida em qualquer caso.

II. O aborto não é tratado como um tema polêmico, uma vez que é visto sempre como crime.

III. A questão do aborto, no debate na TV, é discutida apenas a partir do dualismo: a favor ou contra o aborto.

IV. Rubem Alves não aceita a ética católica em relação ao aborto.

V. O autor considera o aborto sempre um ato criminoso.

10. (CONCURSO UFPB-2008) Ao construir o seu texto, o autor usa alguns recursos lingüísticos para fundamentar a sua argumentação. Considerando esses recursos, julgue as assertivas abaixo:

I. Uso de argumento contrário à idéia defendida pela igreja, mostrando-se favorável ao aborto de um feto sem cérebro.

II. Citação de passagem da Sagrada Escritura como argumento para assegurar a confiabilidade do leitor em relação à polêmica.

III. Uso de fatos reais como prova para convencer o leitor.

IV. Utilização do filme a Escolha de Sofia para reafirmar que o aborto deve ser considerado à luz da razão.

V. Relato de fatos concretos que revelam a simplicidade de se decidir pela vida ou pela morte, pelo certo ou pelo errado.

 

11. (CONCURSO UFPB-2008) Leia o fragmento: “Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais.” Com base nesse fragmento, é possível fazer certas inferências em relação ao posicionamento do autor. Considerando essas inferências, julgue as assertivas abaixo:

I. O autor não é católico, por isso não aceita a opinião do teólogo católico.

II. O autor não tem nenhuma religião, pois é a favor do aborto.

III. O autor não defende a vida, visto que aceita o aborto em determinados casos.

IV. O autor tem opinião diferente do ponto de vista do teólogo, pois não aceita a “ética dos absolutos”.

V. O autor não aceita tratar qualquer forma ou caso de aborto como crime.

12. (CONCURSO UFPB-2008) Leia o fragmento: “O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz, claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: ‘Nós ficamos com a vida. ’ […]” Em relação ao emprego dos termos destacados em negrito, julgue as assertivas abaixo:

I. O termo nessa estabelece a coesão textual, referindo-se à expressão “Nós ficamos com a vida!

II. O termo que, nas duas ocorrências, refere-se à expressão o mais contundente.

III. O termo que, apenas na primeira ocorrência, é um pronome relativo.

IV. O conectivo mas pode ser substituído por porque, sem alteração do sentido da oração.

V. O termo que, na segunda ocorrência, introduz oração de valor restritivo.

 

13.(CONCURSO UFPB-2008) Leia o fragmento: “Se assim fosse, seria fácil optar pela vida.”. Considerando a possibilidade de reescritura da oração destacada em negrito, mantendo-se o mesmo sentido, julgue as assertivas abaixo:

I. Caso assim fosse, seria fácil optar pela vida.

II. Embora assim fosse, seria fácil optar pela vida.

III. Como assim fosse, seria fácil optar pela vida.

IV. Ainda que assim fosse, seria fácil optar pela vida.

V. Quando assim fosse, seria fácil optar pela vida.

 

14. (CONCURSO UFPB-2008) No fragmento “O que se buscava eram diretrizes éticas para se pensar sobre o assunto.”, o termo destacado em negrito introduz uma circunstância de finalidade. Considerando a ocorrência dessa mesma circunstância, julgue os fragmentos abaixo:

I. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?

II. O guarda que fazia separação olha para Sofia e lhe diz: […]”

III. E apontou para o trem da morte.”

IV. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer.

V. Para ela, o que significa dizer ‘eu fico com a vida’?”

15. (CONCURSO UFPB-2008) No fragmento “Ela não discrimina abortos.”, o verbo encontra-se na voz ativa. Considerando-se a passagem dessa frase para a voz passiva, mantendo-se o mesmo tempo verbal, julgue as assertivas abaixo:

I. Abortos não são discriminados por ela.

II. Abortos não eram discriminados por ela.

III. Abortos não tinham sido discriminados por ela.

IV. Abortos não haviam sido discriminados por ela.

V. Abortos não foram discriminados por ela.

 

 

Leia:

QUANDO O MAL TRIUNFA

Crianças assassinadas, abandonadas, torturadas – as notícias que têm chocado o Brasil lembram que o lado monstruoso do homem pode até ser contido, mas jamais será definitivamente domado.

A morte de uma menina de 5 anos aparentemente jogada da janela do 6º andar já seria por si só brutal – mas o caso é tanto mais chocante porque o pai da garotinha aparece como suspeito do crime. Os brasileiros que se comoveram com o assassinato de Isabella Oliveira Nardoni acabavam de ser expostos a outra crônica de horrores: a empresária Sílvia Calabresi Lima, de Goiânia, torturava cotidianamente uma menina de 12 anos em sua área de serviço. Ao lado desses casos tenebrosos, outras barbaridades despontam no noticiário: a garota que pulou da janela do 4º andar para fugir do pai agressor, as crianças que ganharam bolo envenenado da vizinha, o bebê jogado no lago. Essa sucessão de fatos macabros traz a incômoda lembrança de uma constante da história humana: a maldade. O mal está presente em toda parte. Na grande arena da política internacional pode-se divisá-lo no genocídio de Darfur, na repressão política em Cuba e no Tibete, no terrorismo da Al Qaeda e das Farc, na leniência do governo americano com práticas de tortura. Esse tipo de mal é mais assimilável, pois se esconde atrás de razões de estado e pretensas causas nobres.

Mas como metabolizar na alma o mal doméstico, que vem nu, sem disfarces, sem o véu de sofismas que poderiam desculpá-lo e torná-lo suportável pela racionalização de sua origem? Como entender que o sorriso lindo e angelical de Isabella possa ter sido substituído pela máscara da morte no frescor de seus 5 anos de vida? Esse tipo de mal não cabe sequer na aceitação de que coisas ruins podem acontecer a pessoas boas. Esse tipo de mal parece ser uma zona de sombra que aprisiona a alma humana. Esse tipo de mal simplesmente existe. Isso é o que o torna mais assustador.

Desde os primórdios da humanidade essas situações-limite, insuportáveis, lançaram a razão humana em tortuosos exercícios mentais. “É desígnio dos deuses, e a única coisa a fazer é resignarse” – foi essa desde sempre a saída mais humana para evitar a loucura da dor insuperável provocada pelo mal do mundo. O filósofo grego Xenófanes de Cólofon (560-478 a.C.) foi talvez o primeiro a se insurgir contra os deuses e suas maquinações. Xenófanes concluiu simplesmente que o mal perpassa todo o universo e da sua força nem os deuses escapam. Pelos séculos afora teólogos e filósofos tentaram ajudar a humanidade a conviver com o mal. Mais recentemente as explicações desceram do plano metafísico para se tornar objeto de estudo da sociologia, da psicologia e das ciências biológicas. Nenhuma teoria, porém, é capaz de abarcá-lo, de amainar o choque que ele provoca no corpo e na alma ou a destruição que causa no seio das famílias e no julgamento que fazemos de nós mesmos ao deparar com seres humanos agindo como bestas. Talvez a única certeza sobre o mal seja esta: ele é incontornável.

A palavra “mal” tende a levantar objeções dos céticos. Não será uma superstição religiosa que a modernidade superou? Não, não é. Na semana passada, veio à luz o caso de um menino de 9 anos que, por capricho de dois trabalhadores de uma fazenda em Aurilândia, em Goiás, teve o corpo queimado com um ferro de marcar gado. Não existe qualificação mais precisa para o ato de queimar um garoto por diversão: trata-se de maldade. E o adjetivo “mau” também serve com total propriedade para caracterizar as ações de Sílvia Calabresi Lima, presa em flagrante por tortura,em Goiânia. Suavítima, L., de 12 anos, apresenta marcas de ferro quente na pele e necrose embaixo das unhas das mãos, entre outros ferimentos.

A hipótese de uma psicopatia é forte no caso de Sílvia. O psicopata entende intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas é desprovido de piedade, empatia, remorso – emoções que estão na base do senso moral das pessoas. Contrariando as ilusões de certo humanismo que acredita na possibilidade de reeducar qualquer criminoso, indivíduos assim são irrecuperáveis. Com recurso a técnicas recentes como a ressonância magnética funcional, a ciência tem se dedicado a mapear as áreas do cérebro responsáveis pelas decisões morais – áreas que apresentam atividade reduzida nos casos de psicopatia. As causas do distúrbio, porém, ainda não são compreendidas. O problema do mal dificilmente será resolvido nos laboratórios de neurociência. “O mal é um conceito humano, social. A neurociência não pode dizer o que é ou não mau”, diz o neurocientista Jorge Moll Neto, do

Instituto de Pesquisa da Rede Labs-D’Or, no Rio de Janeiro. […]

(TEIXEIRA, Jerônimo. VEJA. Edição 2055, Ano 41, n. 14, 9 abr. 2008, p. 89-91). 

16. No primeiro parágrafo, ao citar as várias crônicas de horrores que vêm sendo expostas na mídia nos últimos dias, o autor utiliza-se de recurso textual argumentativo. Com relação a esse recurso, julgue os itens abaixo:

I. Refutação de argumentos contrários, pois se trata de tema polêmico.

II. Argumentação fundamentada no senso comum.

III. Confirmação de argumentos com base em fatos concretos.

IV. Argumentação fundamentada na observação de situações não-convincentes.

V. Contra-argumentação à idéia de que o mal está em toda a parte.

 

17. O autor faz referências ao mal que está em toda parte. Considerando apenas as referências que ele faz ao mal doméstico, julgue os fragmentos abaixo:

I. “Esse tipo de mal é mais assimilável, […]”

II. “Esse tipo de mal não cabe sequer na aceitação de que coisas ruins podem acontecer a pessoas boas”.

III. Esse tipo de mal parece ser uma zona de sombra que aprisiona a alma humana.”

IV. “Esse tipo de mal simplesmente existe. Isso é o que o torna mais assustador.”

V. “Não será uma superstição religiosa que a modernidade superou?”

18. Com relação à postura crítica do autor ao referir-se a “certo humanismo” (linha 41), julgue as assertivas abaixo:

I. Qualquer criminoso entende intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas é incapaz de sentir piedade, empatia, remorso.

II. Os psicopatas percebem a diferença entre o bem e o mal, todavia revelam-se incapazes de serem recuperados.

III. A possibilidade de reeducação de criminosos, como Sílvia Calabresi, é possível, desde que tenham consciência do crime.

IV. Os conceitos de bem e mal podem ser explicados à luz da ciência, uma vez que a causa dos distúrbios de psicopatas já foi identificada.

V. Criminosos psicopatas são recuperáveis, uma vez que sabem estabelecer a diferença entre o bem e o mal.

19. No quinto parágrafo, o autor utiliza-se de diferentes recursos lingüísticos para fundamentar a sua argumentação. Acerca desses recursos, julgue os itens abaixo:

 

I. Intertextualidade – ao apresentar o ponto de vista do neurocientista, por meio de citação indireta.

II. Paródia – ao contrapor-se à opinião explícita do neurocientista.

III. Paráfrase – ao resgatar o ponto de vista da neurociência.

IV. Intertextualidade – ao recorrer a uma citação de autoridade, apresentada por meio do discurso direto.

V. Paródia – ao negar a idéia do neurocientista de que “‘O mal é um conceito humano, social.’”

20. No fragmento “A palavra ‘mal’ tende a levantar objeções dos céticos.” os itens lexicais destacados em negrito demonstram um uso elaborado da linguagem. Em relação ao emprego desses itens lexicais, julgue as assertivas seguintes:

 

I. Adequado para essa situação de comunicação, pois se trata de artigo de opinião na modalidade escrita.

II. Inadequado a um texto escrito publicado em revista de circulação nacional.

III. Próprio da norma padrão e utilizado tão somente na língua escrita.

IV. Acessível a um público-leitor restrito, uma vez que não fazem parte da linguagem coloquial.

V. Adequado à situação de formalidade, por se tratar de uma variante lingüística, denominada diafásica.

From → Exercícios

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: