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SIMULADO PARA O CONCURSO DA UFPB 2012

30 de setembro de 2012

Texto I

Falando difícil
Quando começam a ser ouvidas quase todo dia palavras que ninguém ouvia antes, é bom prestar atenção — estão criando confusão na língua portuguesa e raramente isso resulta em alguma coisa boa. No mundo dos três poderes e da política em geral, por exemplo, fala-se cada vez mais um idioma que tem cada vez menos semelhança com a linguagem de utilização corrente pelo público. As preferências, aí, variam de acordo com quem está falando. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, colocou no mapa a palavra “escandalização”, à qual acrescentou um “do nada”, para escrever o noticiário sobre o dossiê (ou banco de dados, como ela prefere) feito na Casa Civil com informações incômodas para o governo anterior. Mais recentemente, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, contribuiu com o seu “espetacularização”; foi a palavra, vinda de uma língua desconhecida, que selecionou para manifestar seu desagrado quanto à colocação de algemas no banqueiro Daniel Dantas, durante as operações da Polícia Federal, que lhe valeram o desconforto de algumas horas na prisão.
“Obstaculização”, “fulanização” ou “desconstitucionalização” são outras das preferidas do momento — sendo certo que existe, por algum motivo, uma atração especial por palavras que acabam em “zação”.
O ministro Tarso Genro, da Justiça, parece ser o praticante mais entusiasmado desse tipo de linguagem entre as autoridades do governo. Poucas coisas, hoje em dia, são tão difíceis quanto pegar o ministro Genro falando naquilo que antigamente se chamava “português claro”. Ele já falou em “referência fundante”, “foco territorial etário”, “escuta social orgânica articulada”, entre outras coisas igualmente alarmantes; na semana passada, a propósito da influência do crime organizado nas eleições municipais do Rio de Janeiro, observou que “a insegurança já transgrediu para a questão eleitoral”. É curioso, uma vez que, como alto dirigente do Partido dos Trabalhadores, deveria se expressar com palavras que a média dos trabalhadores brasileiros conseguisse entender. Que trabalhador, por exemplo, saberia o que quer dizer “referência fundante”? Mas também o PT, e não só o ministro Genro, gosta de falar enrolado. Seus líderes vivem se referindo a “políticas”, que em geral são “estruturantes”; dizem que isso ou aquilo é “pontual”, e assim por diante. “Políticas”, no entendimento comum da população, são mulheres que se dedicam à política; a senadora Ideli Salvatti ou a ex-prefeita Marta Suplicy, por exemplo, são políticas. “Pontual”, da mesma forma, é o cidadão que chega na hora certa aos seus compromissos.
Fazer o quê’? As pessoas acham que esse palavreado as torna mais inteligentes, ou mais profissionais.
Conseguem, apenas, tornar-se confusas, ou simplesmente bobas.
As coisas até que não estariam de todo mal se só os habitantes do mundo oficial falassem nesse patoá. Mas a história envolve muito mais gente boa, e muito mais do que apenas falar complicado — o que ela mostra, na verdade, é que o português está sendo tratado a pedradas no Brasil. O problema começa com a leitura. O presidente Luiz lnácio Lula da Silva, por exemplo, vive se orgulhando de não ler livros — algo que considera, além de chato, como um certificado de garantia de suas origens populares.
Lula ficaria surpreso se soubesse quanta gente na elite brasileira também não lê livro nenhum — ou então lê pouco, lê

livros ruins ou não entende o que lê. Muitos brasileiros ricos, como empresários, altos executivos e profissionais de sucesso, têm, sabidamente, problemas sérios na hora de escrever uma frase com mais de vinte palavras. Escrevem errado, escrevem mal ou não dá para entender o que escrevem — ou, mais simplesmente, não escrevem nada. No mesmo caminho vão professores, do primário à universidade, artistas, profissionais liberais, cientistas, escritores, jornalistas — que já foram definidos, por sinal, como indivíduos que desinformam, deseducam e ofendem o vernáculo.
O mau uso do português resulta em diversos problemas de ordem prática, o primeiro dos quais é entender o que se escreve. Não é raro, por exemplo, advogados assinarem petições nas quais não conseguem explicar direito o que, afinal, seus clientes estão querendo — ou juízes darem sentenças em português tão ruim que não se sabe ao certo o que decidiram. Há leis, decretos, portarias e outros documentos públicos incompreensíveis à primeira leitura, ou mesmo à segunda, à terceira e a quantas mais vierem. Não se sabe, muitas vezes, que linguagem foi utilizada na redação de um contrato. Os balanços das sociedades anônimas, publicados uma vez por ano, permanecem impenetráveis.
Há mais, nisso tudo, do que dificuldades de compreensão. A escritora Doris Lessing, prêmio Nobel de Literatura de 2007, diz que, quando se corrompe a linguagem, se corrompe, logo em seguida, o pensamento. É o risco que se corre com o português praticado atualmente no Brasil de terno, gravata e diploma universitário.
GUZO, J. R. Falando difícil. In: Veja: São Paulo, ano 41, nº31. 06 de agosto de 2008.

1. (COPERVE UFPB-2009) No texto, o autor faz considerações acerca da linguagem. Com base nessas considerações, julgue as assertivas a seguir:

I. A fala, no âmbito dos poderes públicos, e da política, assume feição bem própria, distanciando-se da maneira comum do falar do público.
II. A linguagem utilizada por políticos e parlamentares mostra-se cada vez mais cuidada, por expressar a forma de comunicação de pessoas cultas.
III. O rebuscamento vocabular do Ministro Tarso Genro é uma exigência do cargo, representante da alta esfera do governo.
IV. O processo de criação de novas palavras nem sempre é bem-vindo, uma vez que, na maioria das vezes, pode causar problema na comunicação.
V. A escolha de palavras ou expressões por parte dos políticos e parlamentares representa a necessidade de se criar uma língua que identifique essas categorias na sociedade brasileira.

2. (COPERVE UFPB-2009) O autor titula seu texto com a frase Falando difícil. Considerando a sua argumentação acerca do “falar difícil”, julgue as assertivas a seguir:

I. Apenas os políticos cometem o erro de se expressar com palavreado difícil, pois os demais segmentos da sociedade primam pela clareza na comunicação.
II. Apenas os professores, do ensino fundamental à universidade, mantêm o respeito à língua, evitando esse tipo de uso da linguagem.
III. Artistas, escritores e jornalistas, mesmo dando asas à imaginação, seguem rigorosamente as normas de uso da língua, revelando um apreço ao seu idioma.
IV. Tanto as autoridades do governo, como as citadas no texto, quanto outros cidadãos, que se destacam no mundo empresarial, estão se descuidando de sua língua materna.
V. O ato de falar difícil impressiona o público, por isso deve ser uma norma a ser seguida por aqueles que vivem em contato com o público.

3. (COPERVE UFPB-2009) Segundo o autor, “[…] o português está sendo tratado a pedradas no Brasil.” (linha 31) e isso é consequência de alguns fatores. Em relação a essa questão, julgue as assertivas seguintes:

I. O descaso com a leitura, exclusivo daqueles que são analfabetos, tem comprometido o uso da língua e da comunicação.
II. Os professores, até mesmo os universitários, a exemplo de políticos, empresários e profissionais liberais, usam inadequadamente a língua, gerando problemas de compreensão.
III. A elite brasileira, em número expressivo, apresenta dificuldades que se referem ao domínio da leitura e da escrita.
IV. O português, falado e escrito atualmente no Brasil, está fadado à preferência do usuário que o modifica arbitrariamente, causando problemas sérios de compreensão.
V. O português é uma língua viva, e, por isso, está sujeito a “modismos”, o que é salutar para a geração atual e futura.

4. (COPERVE UFPB-2009) Considerando as tipologias textuais presentes no texto, julgue as assertivas a seguir:

I. O uso recorrente de sequências narrativas reforça a tese defendida pelo autor.
II. O uso recorrente de sequências explicativas constitui um recurso da argumentação.
III. O emprego de sequências descritivas constitui uma falha da argumentação.
IV. O uso de sequências argumentativas contribui para a sustentação da tese defendida pelo autor.
V. O uso recorrente de sequências narrativo-descritivas prejudica a argumentação do texto.

5. Leia:
“Mas também o PT, e não só o ministro Genro, gosta de falar enrolado.” (linhas 22-23)

Considerando a análise da expressão destacada no fragmento, julgue as assertivas seguintes:

I. Introduz oração que nega radicalmente o enunciado anterior.
II. Expressa circunstância de condição, ressaltando que o PT também gosta de falar enrolado.
III. Introduz argumento que reafirma a ideia de que políticos usam a linguagem de forma enrolada.
IV. Inicia um novo argumento que contraria a ideia de que os políticos não usam adequadamente a língua.
V. Expressa inclusão, possibilitando a continuidade do ponto de vista do autor acerca do uso da língua pelos políticos.

6. O conectivo que, entre outras funções, aparece no texto com valor restritivo. Considerando esse valor, julgue os fragmentos a seguir:

I. “Quando começam a ser ouvidas quase todo dia palavras que ninguém ouvia antes, […]” (linha 1)
II. “[…] fala-se cada vez mais um idioma que tem cada vez menos semelhança com a linguagem de utilização corrente pelo público.” (linhas 3-4)
III. “Poucas coisas, hoje em dia, são tão difíceis quanto pegar o ministro Tarso Genro naquilo que antigamente se chamava ‘ português claro’.” (linhas 15-16)
IV. “[…] a propósito da influência do crime organizado nas eleições municipais do Rio de Janeiro, observou-se que a insegurança já transgrediu para a questão eleitoral.” (linhas 18-19)
V. “ ‘Políticas’, no entendimento comum da população, são mulheres que se dedicam à política; […]” (linhas 24-25)

7. Há, no texto, registro de uso do verbo na voz passiva. Considerando esse uso, nas formas destacadas abaixo, julgue os fragmentos a seguir:

I. “As preferências, aí, variam de acordo com quem está falando.” (linhas 4-5)
II. “Seus líderes vivem se referindo a políticas, que em geral são estruturantes.” (linhas 24-25)
III. “Conseguem, apenas, tornar-se confusas , ou simplesmente bobas.” (linha 28)
IV. “[…] – o que ela mostra é que o português está sendo tratado a pedradas no Brasil.” (linhas 30-31)
V. “Não se sabe, muitas vezes, que linguagem foi utilizada na redação de um contrato.” (linha 46)

8. Considerando o uso dos conectivos destacados no fragmento “A escritora Doris Lessing, prêmio Nobel de
Literatura de 2007, diz que, quando se corrompe a linguagem, se corrompe, logo em seguida, o pensamento. (linhas 48-50), julgue as assertivas a seguir:

I. O conectivo quando e a expressão logo em seguida introduzem orações que expressam ideia, respectivamente, de tempo e de conclusão.
II. O conectivo quando e a expressão logo em seguida estabelecem relação de temporalidade entre as orações.
III. O conectivo quando pode ser substituído pelo conectivo sempre que, mantendo-se a mesma circunstância.
IV. A expressão logo em seguida pode ser substituída pela conjunção portanto, sem alteração do sentido do fragmento.
V. A expressão logo em seguida modifica a forma verbal “corrompe”, indicando-lhe circunstância de tempo.

9. Leia:

“É curioso, uma vez que, como dirigente do Partido dos Trabalhadores, deveria se expressar com palavras que a média dos trabalhadores brasileiros conseguisse entender.” (linhas 19-21)

Considerando a concordância das formas verbais nesse fragmento, julgue as assertivas a seguir:

I. O uso da forma verbal deveria constitui um desvio da norma padrão da língua escrita, visto que não concorda com o seu sujeito.
II. A forma verbal deveria poderá ser flexionada no plural, estabelecendo a concordância com o termo trabalhadores.
III. A forma verbal conseguisse está flexionada no singular, concordando com o sujeito a média dos trabalhadores brasileiros. .
IV. A forma verbal conseguisse poderá flexionar-se também no plural, mantendo-se a concordância com a expressão trabalhadores brasileiros
V. O uso das formas verbais deveria e conseguisse está de acordo com a norma padrão da língua escrita.

Leia:
Poluição das Águas em Sistemas Urbanos
A solução para o problema da poluição das águas nos centros urbano-industriais se resume em uma palavra: tratamento. Torna-se necessário implantar sistemas de coleta e tratamento dos esgotos domiciliares e industriais para que, depois de utilizada, a água retorne limpa aos cursos de água. No entanto isso não é tarefa tão simples, como veremos pelos dados a seguir.
A questão do saneamento. básico (rede de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto) é um problema não apenas ambiental, mas também social ou, especificamente, de saúde pública. Nesse campo há muito ainda por ser feito nos países pobres, sobretudo no Brasil, enquanto nos países desenvolvidos já houve uma universalização do acesso à rede de abastecimento de água e de coleta de esgotos.
Quando os esgotos não são coletados e tratados, muitas vezes são lançados em córregos, rios, lagos e mares, contribuindo para a poluição das águas e provocando problemas de saúde. A implantação de uma rede universal de coleta e tratamento de esgotos exige, porém, vultosos investimentos; por isso nos países subdesenvolvidos grande parte da população continua sem dispor dessa importante infra-estrutura urbana. Deve-se considerar também a questão política: muitas vezes os governantes preferem investir em obras que apareçam e rendam votos, como estradas, a aplicar o dinheiro público em canos que ficam escondidos embaixo da terra. Segundo a ONU, 39% da população mundial, aproximadamente 2,5 bilhões de pessoas, não tem acesso à rede de esgotos.
No Brasil, em 2001, pouco mais da metade dos domicílios urbanos estava ligada à rede coletora de esgotos, mas isso varia muito de cidade para cidade, de estado para estado e de região para região. A alternativa mais barata é a construção de fossas sépticas, que recolhem o esgoto e fazem a decantação dos dejetos. É uma opção melhor que lançar os esgotos em fossa rudimentar, que pode contaminar o aqüífero, ou em cursos de água.
Já o abastecimento de água tratada está quase universalizado, embora o acesso também não ocorra de forma homogênea em todo o território brasileiro. Ele varia de 95,3% na região Sudeste, a mais bem servida, a 55,9% na região Norte, a que apresenta índice mais baixo. Se forem considerados os limites dos estados da Federação, varia da quase universalização em São Paulo, com 98,2%, ao índice muito baixo no Acre, de 40,4%. Se forem consideradas as cidades vai de 98,4% na região metropolitana de São Paulo, a mais bem servida, a 61,0% na Grande Belém, a de menor índice.
MOREIRA, João Carlos e SENE, Eustáquio. Geografia Geral e do Brasil. Espaço Geográfico e Globalização. Ed. reform.
São Paulo: Scipione, 2004, p. 508-510.

10. (cagepa-2008) No texto, aborda-se a questão do tratamento da água em centros urbano-industriais. Nele,

a) registra-se o atraso do Brasil em relação à universalização do acesso à rede de abastecimento de água e de coleta de esgotos em algumas áreas.
b) ressalta-se que a questão do saneamento básico é um problema de natureza exclusivamente ambiental, já que se refere a recursos naturais.
c) chama-se a atenção para o fato de que o Brasil já apresenta uma situação satisfatória no que diz respeito à rede de abastecimento de água tratada, em todo seu território.
d) revela-se que ainda é grave o problema de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgotos em todos os estados do Brasil.
e) mostra-se que a solução para o problema da água é a implantação de sistemas de coleta e tratamento apenas dos esgotos industriais.

11. Em relação aos termos destacados em negrito no fragmento “É uma opção melhor que lançar os esgotos em fossa rudimentar, que pode contaminar o aqüífero, ou em cursos de água.”, é correto afirmar:

a) Nas duas ocorrências, introduzem orações de valor explicativo.
b) Nas duas ocorrências, são termos integrantes que iniciam orações de valor substantivo.
c) Na primeira ocorrência, é um pronome relativo, introduzindo oração de valor adjetivo.
d) Na segunda ocorrência, pode ser substituído pela forma os quais, mantendo-se a norma padrão.
e) Na segunda ocorrência, é um pronome relativo, introduzindo oração de valor explicativo.

12. (cagepa-2008) No fragmento “Deve-se considerar também a questão política: […]” (linha 13), o termo destacado em negrito

a) funciona como pronome apassivador.
b) assinala a ocorrência de indeterminação do sujeito.
c) é um pronome de valor reflexivo.
d) é um termo expletivo.
e) indica reciprocidade.

13. (FCC – Pref. Santos 2005) … que doenças típicas de adultos comecem a manifestar-se em crianças e adolescentes. (início do texto)

O verbo flexionado no mesmo tempo e modo do grifado acima está na frase:

a) … que 25% da população infantil brasileira apresentavam níveis elevados de colesterol.
b) Assim, a alimentação ganhou excesso de gorduras saturadas e de proteínas …
c) Contribui ainda para o aumento do colesterol em crianças o sedentarismo.
d) … que apenas um terço delas pratique mais de meia hora diária de atividades físicas moderadas.
e) Elas deixaram de brincar ao ar livre …

14. (JOÃO DO VALE) “Fresta” em relação ao vocábulo “festa”, observando-se rigorosamente a grafia e o sentido, é considerado caso de palavra:

a) Homônima homógrafa;
b) Homônima homófona;
c) Homônima homófona e homógrafa;
d) Parônima;
e) Heterônima.

15. “O caminhão atravessou a pista e bateu na mureta de proteção, o veículo ficou totalmente destruído”. Na frase acima a palavra “veículo” representa um caso de:

a) polissemia;
b) antonímia;
c) hiponímia;
d) hiperonímia;
e) heteronímia.

From → Exercícios

2 Comentários
  1. Raquel Leão permalink

    Kd o gabarito???

  2. Raquel Leão permalink

    Já achei..srsrsrs…

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